domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Morte e a Ressureição de Mappin e Mesbla



29 de julho de 1999: decorem esta data.

Há dezoito anos. Provavelmente esta data e os acontecimentos ocorridos na mesma ainda causem calafrios no empresariado brasileiro e em todos aqueles que foram afetados naquele dia, principalmente os investidores (ou seria melhor dizer malucos) e os trabalhadores que de uma hora para a outra se viram postos no olho da rua ao encontrarem seus locais de trabalhos lacrados pela Justiça.



Naquele dia 29 de julho dois dos maiores ícones do varejo brasileiro tiveram sua falência decretada, a paulista Mappin e a carioca Mesbla. No mesmo dia as Lojas Brasileiras (Lobras) anuciaram o encerramento de suas atividades.

Das três, a empresa que estava há mais tempo em atividade no Brasil era a Mesbla (desde 1912, um ano antes do Mappin). Em comum com a empresa paulista há o fato de ter sua origem em empresas estrangeiras (a francesa Mestre & Blatge e a Mappin Stores, fundada por ingleses), porém enquanto a primeira começou a se expandir lá pela década de 50 por várias das principais capitais do país, a segunda possuía poucas, mas enormes lojas, na cidade de São Paulo - a principal delas na Praça Ramos de Azevedo - se tornando um ícone paulistano. Quis o destino também que as duas, apesar das trajetórias de crescimento diferentes, acabassem por se juntar para morrerem abraçadas.






Antigo prédio do Mappin na Praça Ramos de Azevedo: Símbolo do consumismo paulistano.


Em 1996 o empresário Ricardo Mansur assumiu o controle acionário do Mappin com o intuito de recuperar a empresa. No ano seguinte fez o mesmo com a Mesbla com a intenção de, com as duas empresas recuperadas, fundi-las e vendê-las com lucro. Porém seu plano não deu certo: veio a crise cambial, os investidores que deram margem pra sua decisão (o principal era o Bradesco) voltaram atrás e em dois anos o conglomerado já havia superado a marca de um bilhão de reais em dívidas.

O que se viu a partir daí foram inúmeras passeatas de trabalhadores, brigas judiciais com fornecedores e até mesmo a entrada do governador paulista Mário Covas na tentativa de interceder pela empresa. Tudo em vão. Naquele dia 29 as duas principais lojas do Mappin amanheceram lacradas e a patir daí todas as lojas das três empresas (Mappin, Mesbla e Lobras) foram caindo uma a uma. Ficou comum naquela época ver lojas da Mesbla em seu estado terminal quase vazias de produtos, ou então lojas da Lobras venderem tudo que havia no estoque a preço de banana para esvaziar rapidamente.


Fachada das Lojas Brasileiras em Uberaba - MG.



Lobras sendo "depenada" em liquidação de fim de estoque em Recife - PE. Foto: JC Imagem.


O ano de 1999 estava sendo fatídico para a economia brasileira. Desde o início do Plano Real que uma série de empresas tradicionais vinham fechando as portas, principalmente bancos. Aí quando veio a desvalorização da moeda ocorrida naquele ano o quadro se agravou, pois empresas que já vinham capengando viram suas dívidas mais que dobrar. Até aquele famigerado dia 29 dezoito empresas já haviam sucumbido - Entre elas destacam-se, além das empresas citadas, a Rede Manchete, a G. Aronson e a Encol.



Agora, mais de dez anos depois, a colunista Mônica Bergamo revela em sua coluna na Folha de São Paulo algo que poucos haviam percebido: Há um site da Mesbla no ar alardeando um retorno em breve, além de estar oferecendo a possíveis futuros fornecedores um formulário para cadastro. Há também um do Mappin, mas neste há apenas uma mensagem de "breve". O que parece que os dois endereços passam para quem vê é a idéia de criar lojas virtuais aos moldes dos sucessos do Magazine Luiza e da Americanas.com, para isso Mansur, que não quis dar entrevistas sobre o assunto, tenta acelerar contatos em Nova York para captar recursos com investidores internacionais.

Que as marcas Mappin e, principalmente, Mesbla são fortes ninguém duvida. O duro é acreditar que um empresário, que carrega em suas costas uma das maiores bancarrotas do Brasil, venha a conseguir convencer alguém a apostar nesta empreitada sem despertar os fantasmas do passado.

Um bom retorno à Mesbla e o Mappin. Se voltarem, claro.

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